Seja com o título "As Meninas do Brasil" ou com o indicativo de "As Gordinhas de Ondina", o fato é que Eliana Kértsz ajuda intensamente a desconstruir um perfil anoréxico de beleza imposto pela pós-modernidade e seguido como culto a um doentio padrão estético pré-estabelecido. E, quando em Ondina, nosso olhar não só contempla o maravilhoso mar da Bahia e da Baía, mas também se encanta com essa homenagem às formas reais e livres das quais as mulheres não devem se envergonhar. Já do outro lado do Atlântico, deparo-me, desde o Aeroporto de Madrid-Bajaras, com a gordinha de Fernando Boteroe é imediato diálogo estético entre as obras de Kértsz e Botero. Por não estar em museus, essas artes tornam-se pública para o público passante!
O que vocês pensam sobre isso?
Ainda uma outra referência quanto a esse tema da estética corporal: altamente recomendável é o livro "As esganadas", de Jô Soares.




Oi Marcos,
ResponderExcluirImportantissimo iniciarmos esse dialogo com o corpo, pois ele somos nós, ele pode ser considerado a forma de expressão, de ser e viver, o sujeito - individual e coletivo - é nossa ação no mundo, enfim. Se, contudo, somos seres espirituais, o somos porque somos corporais… O corpo nos apresenta ao mundo ao tempo em que nos compromete como sujeito. Somos sujeitos históricos, uns com plena consciência do ser sujeitos, outros sujeitados, como objetos, até que a conscientização transforme essa interação de ser objeto em sujeito histórico. Falo um pouco isso no meu livro: Do corpo objeto ao sujeito histórico: perspectivas da concepção de corpo na historia da educação brasileira (Salvador: EDUFBA, 2009). Mas, de certo, o padrão de beleza é imposto pela sociedade atual, e por todas as anteriores de varias formas, silhuetas e força. Georges Vigarello tem um livro que fala um pouco sobre As metamorfoses do gordo: historia da obesidade na historia da humanidade (Petrópolis: Vozes, 2012) que trata desde as "formas luxuriantes das Vênus de Ticiano às modelos exangues do século XXI, da valorização das carnes à apologia da magreza. Nesta obra Vigarello se aprofunda em questões como esta, retratando a gênese da obsessão contemporânea pelo corpo esguio e sem gordura, no curso das épocas. Esta é uma inquietação importante de trazer, ao adentrarmos nos museus (e nas cidades que expõe a arte expressa nas formas corporais), repletos de corpos femininos, de dimensões diversas e 'fofuras' variadas…
Certamente, um ótimo inicio de dialogo… Continuemos…